A conquista da segunda Liga dos Campeões da história do Paris Saint-Germain terminou em meio a uma onda de confrontos, vandalismo e prisões em diversas cidades da França. Após a vitória do PSG sobre o Arsenal na final disputada em Budapeste, milhares de torcedores foram às ruas para comemorar o título, mas parte das celebrações acabou marcada por episódios de violência.
Segundo o Ministério do Interior francês, pelo menos 416 pessoas foram presas durante a noite de sábado (30), enquanto sete policiais ficaram feridos em operações realizadas para conter os distúrbios.
Os incidentes foram registrados principalmente em Paris, mas também ocorreram em outras cidades francesas. Veículos foram incendiados, lojas tiveram vitrines destruídas e confrontos entre grupos de torcedores e forças de segurança se espalharam por diferentes regiões do país.
As cenas voltaram a levantar preocupações sobre a capacidade das autoridades de controlar grandes celebrações esportivas que reúnem dezenas de milhares de pessoas nas ruas.
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Champs Élysées virou principal foco das comemorações
Na capital francesa, os principais pontos de concentração ocorreram na famosa avenida Champs Élysées e nas proximidades do Parc des Princes, estádio do PSG.
Milhares de torcedores ocuparam as ruas logo após o apito final para celebrar o bicampeonato europeu. Embora grande parte dos presentes tenha participado de forma pacífica, grupos menores protagonizaram atos de vandalismo e confrontos com a polícia.
Imagens divulgadas pela imprensa internacional mostraram focos de incêndio em diferentes áreas da cidade, bicicletas elétricas queimadas, fachadas comerciais destruídas e grande quantidade de fumaça tomando conta de algumas avenidas.
Em diversos momentos, agentes das forças de segurança foram vistos perseguindo grupos de torcedores enquanto tentavam impedir novos episódios de depredação.

Polícia utilizou gás lacrimogêneo
Diante da escalada dos confrontos, unidades especializadas em controle de distúrbios foram mobilizadas em diferentes pontos da capital francesa.
Segundo relatos da imprensa local e internacional, a polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar multidões em algumas áreas onde houve resistência às ordens de dispersão.
Também foram registrados lançamentos de fogos de artifício contra agentes de segurança, além de tentativas de bloqueio de importantes vias de circulação da cidade.
O Boulevard Périphérique, principal anel viário que circunda Paris, chegou a ser parcialmente afetado por ações de grupos de torcedores, mas as autoridades afirmaram que conseguiram controlar rapidamente a situação.
Houve ainda relatos de tentativas de invasão a uma delegacia localizada em uma área nobre da capital, episódio que também foi contido pelas forças de segurança.
Governo francês classificou violência como inaceitável
O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, afirmou que os acontecimentos foram considerados inaceitáveis, embora reconhecesse que as autoridades já trabalhavam com a possibilidade de confrontos após a final.
Segundo o governo francês, aproximadamente 280 das prisões ocorreram apenas em Paris.
Nuñez destacou que os serviços de inteligência e segurança haviam identificado previamente riscos de desordem durante as celebrações e, por isso, um grande esquema de policiamento foi preparado para a ocasião.
Mesmo assim, os episódios de violência voltaram a gerar críticas sobre a atuação de grupos radicais que frequentemente se misturam aos torcedores durante grandes eventos esportivos.
França montou operação com 22 mil policiais
A preocupação das autoridades não surgiu apenas após o apito final. Antes mesmo da decisão da Champions League, o governo francês havia organizado uma das maiores operações de segurança dos últimos anos para acompanhar as comemorações.
Segundo o Ministério do Interior, cerca de 22 mil policiais foram mobilizados em Paris e em outras cidades para patrulhamento preventivo e resposta rápida a possíveis incidentes.
O reforço foi planejado após a experiência da temporada anterior, quando as celebrações pelo primeiro título europeu do PSG também terminaram com episódios de violência que deixaram mortos e centenas de feridos.
Na avaliação do governo, o esquema montado desta vez permitiu uma resposta mais rápida aos focos de desordem, evitando consequências ainda mais graves.
Conquista histórica movimentou o país
A expectativa pela decisão da Champions League mobilizou milhões de franceses. O PSG entrou em campo buscando seu segundo título europeu consecutivo diante do Arsenal, em uma final que atraiu atenção mundial.
Mais de 40 mil pessoas acompanharam a partida em telões instalados no Parc des Princes, enquanto milhões de torcedores assistiram ao jogo pela televisão e por plataformas digitais.
Dentro de campo, a decisão foi equilibrada. O Arsenal abriu o placar ainda no primeiro tempo, mas o PSG conseguiu reagir na etapa final e levou a disputa para a prorrogação.
Sem definição no tempo extra, a partida foi decidida nos pênaltis, onde o clube francês mostrou maior eficiência e garantiu o bicampeonato europeu.
O zagueiro brasileiro Gabriel Magalhães desperdiçou a cobrança decisiva pelo Arsenal, encerrando as chances da equipe inglesa.
Celebrações oficiais serão mantidas
Apesar dos confrontos registrados durante a madrugada, as festividades oficiais programadas pelo clube e pelas autoridades francesas foram mantidas.
O elenco do Paris Saint-Germain deverá participar de um desfile comemorativo no Champ de Mars, área localizada próxima à Torre Eiffel, um dos principais cartões-postais de Paris.
Posteriormente, os jogadores serão recebidos pelo presidente Emmanuel Macron no Palácio do Eliseu.
A líder política Marine Le Pen também comentou os acontecimentos e criticou os episódios de violência registrados após a partida.
Enquanto a França celebra mais um título europeu do PSG, as autoridades agora enfrentam o desafio de investigar os responsáveis pelos atos de vandalismo e evitar que novas manifestações violentas comprometam os eventos programados para os próximos dias.
O contraste entre a conquista esportiva e as cenas de destruição registradas em diversas cidades evidencia um problema recorrente enfrentado pelas forças de segurança francesas em grandes celebrações populares, especialmente quando eventos esportivos mobilizam multidões nas ruas.

