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FBI monitora PCC e Comando Vermelho em 12 estados dos EUA, afirma governo norte-americano

Autoridades americanas dizem que atuação das facções brasileiras em território norte-americano motivou classificação dos grupos como organizações terroristas.

FBI monitora PCC e Comando Vermelho em 12 estados dos EUA, afirma governo norte-americano
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O governo dos Estados Unidos afirmou nesta sexta-feira (29) que o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) são monitorados por órgãos de segurança em pelo menos 12 estados americanos. A informação foi divulgada por Amanda Roberson, porta-voz do Departamento de Estado dos EUA.

Segundo a representante do governo americano, o FBI e outras agências federais acompanham as atividades atribuídas às duas facções brasileiras devido ao alcance internacional de suas operações.

A declaração ocorre um dia após Washington anunciar oficialmente a classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, medida que amplia significativamente os instrumentos legais disponíveis para investigação e punição de integrantes e colaboradores dos grupos.

Monitoramento envolve diversas agências

Durante a entrevista, Amanda Roberson afirmou que a decisão foi tomada após avaliações de órgãos de inteligência e segurança dos Estados Unidos.

Segundo ela, as autoridades americanas entendem que organizações criminosas com atuação internacional exigem cooperação entre diferentes países para limitar suas atividades e interromper fluxos financeiros utilizados pelos grupos.

De acordo com a porta-voz, o monitoramento não é realizado apenas pelo FBI, mas também por outras estruturas governamentais ligadas à segurança nacional, imigração e combate ao crime organizado.

Embora não tenha detalhado quais estados estão sob monitoramento nem quais operações estariam sendo investigadas, Roberson afirmou que a presença das facções em território americano é considerada uma preocupação pelas autoridades dos Estados Unidos.

O que muda com a classificação de terrorismo

A decisão anunciada pelo governo americano coloca PCC e Comando Vermelho em listas utilizadas pelos Estados Unidos para combater organizações consideradas ameaças à segurança nacional.

Segundo Amanda Roberson, a nova classificação permite a adoção de medidas mais severas contra integrantes dos grupos e pessoas que mantenham qualquer tipo de relação com eles.

Entre as consequências citadas pela porta-voz estão restrições de vistos, bloqueio de bens e ativos localizados nos Estados Unidos, proibição de transações financeiras envolvendo cidadãos americanos e responsabilização criminal de indivíduos ou empresas que ofereçam apoio material às organizações.

A partir da entrada em vigor da medida, qualquer forma de colaboração financeira, logística ou operacional poderá ser enquadrada pelas autoridades americanas como apoio a organizações terroristas.

Facções ampliaram atuação internacional

Nos últimos anos, investigações conduzidas por autoridades brasileiras e estrangeiras apontaram uma crescente expansão das atividades do PCC e do Comando Vermelho para além das fronteiras nacionais.

Relatórios de segurança indicam que as organizações mantêm conexões com rotas internacionais de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, contrabando de armas e movimentação financeira em diversos países.

O PCC, surgido nos presídios paulistas na década de 1990, tornou-se uma das maiores organizações criminosas da América Latina. Já o Comando Vermelho, criado no Rio de Janeiro durante os anos 1970, continua exercendo forte influência em comunidades e rotas do narcotráfico.

A atuação internacional das duas facções tem chamado atenção crescente de governos estrangeiros, especialmente dos Estados Unidos, que vêm ampliando ações de cooperação para combater redes criminosas transnacionais.

Governo Trump endurece discurso

Amanda Roberson afirmou que a decisão de classificar as facções como terroristas partiu diretamente do presidente Donald Trump e reflete a postura adotada pela atual administração em relação ao crime organizado.

Segundo ela, o governo americano não pretende tolerar a atuação de grupos criminosos considerados responsáveis por violência e atividades ilícitas no continente.

A porta-voz declarou que a administração Trump pretende utilizar todos os mecanismos disponíveis para combater as organizações classificadas como ameaça à segurança dos Estados Unidos.

As declarações reforçam o endurecimento da política americana em relação a organizações criminosas estrangeiras, utilizando instrumentos normalmente associados ao combate ao terrorismo internacional.

Encontro com Flávio Bolsonaro gera repercussão

O anúncio da classificação ocorreu dois dias após o senador Flávio Bolsonaro se reunir com Donald Trump na Casa Branca.

Posteriormente, o parlamentar afirmou que havia solicitado pessoalmente ao presidente americano que PCC e Comando Vermelho fossem enquadrados como organizações terroristas.

A revelação provocou repercussão política no Brasil e levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a criticar publicamente a medida adotada pelos Estados Unidos.

O governo brasileiro argumenta que as facções já são combatidas pelas instituições nacionais por meio da legislação criminal existente e demonstrou preocupação com possíveis impactos diplomáticos e econômicos decorrentes da decisão americana.

Cooperação internacional deve ganhar importância

Especialistas em segurança avaliam que a nova classificação poderá ampliar o compartilhamento de informações entre autoridades brasileiras e americanas.

A medida também pode facilitar investigações financeiras internacionais, bloqueio de recursos e monitoramento de operações suspeitas ligadas ao crime organizado.

Nos próximos meses, órgãos de segurança dos Estados Unidos deverão detalhar como as novas regras serão aplicadas e quais procedimentos serão adotados para fiscalizar possíveis vínculos entre empresas, indivíduos e integrantes das facções.

Enquanto isso, a decisão marca uma nova etapa na estratégia americana de combate ao crime organizado transnacional e reforça o foco crescente das autoridades dos EUA sobre a atuação internacional do PCC e do Comando Vermelho.