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Exportações do Brasil para os EUA caem 9,7% e atingem menor nível desde 2023

Vendas brasileiras ao mercado americano somaram US$ 24,1 bilhões até agosto, enquanto produtos mais afetados pelas sobretaxas registraram queda ainda maior

Exportações do Brasil para os EUA caem 9,7% e atingem menor nível desde 2023

Exportações do Brasil para os EUA atingem menor nível desde 2023 · REPRODUÇÃO (IA)

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As exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 9,7% entre janeiro e agosto de 2026, para US$ 24,1 bilhões, segundo levantamento da Amcham Brasil. O resultado representa US$ 2,6 bilhões a menos em relação ao mesmo período de 2025 e coloca as vendas brasileiras ao mercado americano no menor nível para os oito primeiros meses do ano desde 2023.

O desempenho ocorre após a entrada em vigor de novas sobretaxas impostas pelo governo dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Os efeitos já aparecem em diferentes setores da economia, embora agosto tenha apresentado um comportamento diferente do acumulado do ano.

Produtos mais afetados pelas tarifas registram forte queda

Os produtos submetidos às sobretaxas mais elevadas, entre 25% e 37,5%, foram os que apresentaram uma das maiores retrações. Segundo a Amcham Brasil, as exportações desse grupo caíram 29,1% entre janeiro e agosto, passando de US$ 5,1 bilhões para US$ 3,6 bilhões.

Entre as dez principais mercadorias brasileiras atingidas pelas tarifas mais altas, nove registraram queda nas vendas. Madeira de coníferas recuou 55,3%, enquanto as exportações de fumo não manufaturado diminuíram 39,9%. As vendas de sebo bovino caíram 39,4% e as de granito trabalhado tiveram redução de 37,4%.

O impacto também alcançou os principais setores exportadores. As vendas da indústria de transformação para os Estados Unidos caíram 4,9%, enquanto a indústria extrativa recuou 28,9% e a agropecuária teve queda de 26,7%.

A retração da indústria de transformação chama atenção porque é a primeira queda nas exportações brasileiras desse setor para os Estados Unidos desde 2020. Mesmo assim, o mercado americano continua sendo o principal destino dos produtos manufaturados brasileiros, respondendo por 15,5% das vendas externas do segmento.

Agosto mostra alta no valor, mas queda no volume

Apesar do resultado negativo no acumulado do ano, agosto apresentou crescimento de 12,1% no valor das exportações brasileiras para os Estados Unidos. As vendas chegaram a US$ 3,19 bilhões, contra US$ 2,85 bilhões no mesmo mês de 2025.

O aumento, porém, não significa que o volume de produtos enviados aos americanos tenha crescido. Pelo contrário. A quantidade exportada caiu 17,3% em relação a agosto do ano passado, atingindo o menor nível para o mês desde 2021, segundo a Amcham Brasil.

A diferença entre valor e quantidade foi explicada principalmente pela elevação dos preços médios dos produtos exportados. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), os preços das mercadorias vendidas aos Estados Unidos subiram 8,6% em agosto.

Alguns produtos também contribuíram para o resultado positivo do mês. Carne bovina, café, aeronaves e produtos semimanufaturados de ferro e aço registraram aumento nas quantidades embarcadas. Aeronaves e carne bovina estão entre os produtos que ficaram fora das novas tarifas.

Comércio entre Brasil e Estados Unidos perde força

A queda das exportações também acontece em um cenário de redução do comércio bilateral. Segundo a Amcham Brasil, Brasil e Estados Unidos movimentaram cerca de US$ 5,2 bilhões a menos em comércio durante os oito primeiros meses de 2026. A retração envolve tanto as exportações brasileiras quanto as importações de produtos americanos.

Os dados oficiais mostram que as importações brasileiras provenientes dos Estados Unidos somaram US$ 27,3 bilhões entre janeiro e agosto, queda de 8,6% na comparação anual. Com isso, o Brasil acumulou déficit comercial de US$ 3,2 bilhões com os americanos no período.

A diferença entre o desempenho das vendas aos Estados Unidos e das exportações brasileiras para outros mercados também chama atenção. Enquanto as vendas ao mercado americano recuaram, o comércio exterior brasileiro como um todo continuou crescendo em 2026.

Tarifas mudam o perfil das exportações

Os dados indicam que o impacto das novas barreiras comerciais não está distribuído de maneira uniforme. Produtos submetidos às maiores sobretaxas apresentam quedas mais acentuadas, enquanto mercadorias que ficaram fora das medidas conseguem manter ou ampliar suas vendas em determinados períodos.

O próprio MDIC avalia que ainda é difícil separar com precisão o efeito das tarifas de outros fatores em um período relativamente curto. Em agosto, por exemplo, tanto produtos sujeitos às medidas quanto itens excepcionados registraram crescimento em valor.

A Amcham Brasil também aponta que a retração ocorre enquanto as exportações brasileiras para outros mercados seguem apresentando desempenho positivo. Isso coloca os Estados Unidos em uma posição diferente dentro da pauta comercial brasileira em 2026.

O resultado até agosto mostra, portanto, uma mudança relevante no comércio entre os dois países. As exportações brasileiras para os Estados Unidos estão no menor nível desde 2023 para o período, enquanto os produtos mais atingidos pelas tarifas acumulam perdas ainda maiores.

O comportamento dos próximos meses será importante para determinar se a queda observada até agosto representa uma redução temporária ou uma mudança mais persistente no fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos.