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EUA preparam envio de drones para a América do Sul em meio à ampliação de operações militares

Estados Unidos planejam transferir drones MQ-9 Reaper da África para o Comando Sul, enquanto Washington amplia parcerias com países latino-americanos em ações contra o narcotráfico e grupos classificados como terroristas.

EUA preparam envio de drones para a América do Sul em meio à ampliação de operações militares

Drone dos EUA na América Latina · REPRODUÇÃO (IA)

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Os Estados Unidos estão preparando a transferência de drones militares MQ-9 Reaper, atualmente vinculados ao comando americano responsável pela África, para o Comando Sul dos EUA (SOUTHCOM), responsável pelas operações militares na América do Sul, América Central e Caribe. A informação foi divulgada pela CNN, que ouviu seis fontes familiarizadas com o planejamento. O número exato de aeronaves ainda não foi definido, mas uma das fontes afirmou que a transferência poderá envolver a maioria dos MQ-9 atualmente empregados na África.

A movimentação ocorre enquanto o governo de Donald Trump amplia a cooperação militar com países latino-americanos e prepara novas operações classificadas por Washington como ações de combate ao narcotráfico e ao terrorismo. O Pentágono não comentou oficialmente o plano de transferência.

O que são os MQ-9 Reaper

O MQ-9 Reaper é uma aeronave remotamente pilotada utilizada para inteligência, vigilância e reconhecimento, mas também capaz de realizar ataques de precisão. A transferência planejada representa, portanto, não apenas o deslocamento de equipamentos de monitoramento, mas o reforço de uma capacidade militar que pode ser utilizada em operações ofensivas.

Segundo as fontes ouvidas pela CNN, os drones seriam deslocados para apoiar operações antidrogas e antiterrorismo previstas na região. O Equador aparece entre os possíveis cenários de atuação, depois de iniciar operações militares conjuntas com os Estados Unidos contra organizações classificadas pelo governo americano como terroristas.

A Colômbia também aprofundou a cooperação militar com Washington. Segundo a CNN, o governo colombiano chegou a um acordo para receber três drones MQ-9A Reaper emprestados pelos Estados Unidos para monitorar corredores utilizados pelo narcotráfico e realizar possíveis ataques de precisão.

Estados Unidos ampliam presença militar na região

O deslocamento dos drones faz parte de uma movimentação militar mais ampla. No ano passado, os Estados Unidos já haviam enviado para o Caribe uma combinação de MQ-9, caças F-35 e pelo menos um AC-130, em uma campanha contra embarcações que Washington afirma estarem relacionadas ao tráfico de drogas.

Na quinta-feira (17), a Embaixada dos EUA no Panamá também anunciou a entrega de mais de US$ 6 milhões em sistemas de drones de longo alcance ao país. Os equipamentos não são MQ-9 e foram destinados ao monitoramento de áreas remotas, proteção de corredores marítimos e combate ao tráfico de drogas e de pessoas.

A mudança ocorre paralelamente a uma alteração nas prioridades estratégicas do Pentágono. Segundo a CNN, o secretário de Defesa Pete Hegseth colocou a defesa do território americano e do Hemisfério Ocidental como prioridade número um da Estratégia Nacional de Defesa divulgada em janeiro. Com os Estados Unidos também envolvidos em operações na Europa, no Oriente Médio e no Pacífico, a presença militar na África passou a ocupar uma posição inferior nas prioridades de Washington.

África perde equipamentos enquanto América Latina ganha espaço

A transferência dos MQ-9 ocorre apesar da permanência de ameaças terroristas na África. Segundo fontes ouvidas pela CNN, grupos como Estado Islâmico e al-Shabaab continuam ativos, e alguns militares americanos demonstraram preocupação de que a retirada de drones possa dificultar operações contra essas organizações.

Ainda existe, porém, uma disputa pela utilização dos equipamentos. Parte dos drones também pode ser direcionada ao Oriente Médio, onde os Estados Unidos perderam ativos durante a guerra contra o Irã. Por isso, o tamanho final do contingente destinado ao SOUTHCOM ainda não está definido.

Uma mudança na estratégia contra o narcotráfico

A ampliação da presença militar americana ocorre após meses de operações contra supostos traficantes no Caribe e no Pacífico Oriental. Segundo levantamento da CNN baseado em comunicados oficiais e informações de operações de busca e resgate, pelo menos 230 pessoas morreram em ataques que destruíram ao menos 79 embarcações.

A estratégia, entretanto, também enfrenta questionamentos. Autoridades policiais e especialistas ouvidos pela CNN afirmaram que ainda não está claro se os ataques produziram impacto duradouro sobre o comércio de drogas. Uma das possibilidades levantadas é que organizações criminosas tenham simplesmente alterado rotas e métodos de transporte.

A transferência dos MQ-9, portanto, sinaliza uma ampliação da capacidade de vigilância e ataque dos Estados Unidos na América Latina, mas os detalhes sobre onde e como essas aeronaves serão empregadas ainda dependem de decisões militares e dos acordos estabelecidos com os países parceiros.