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El Niño: o que é o fenômeno que aquece o Pacífico e muda o clima do planeta

O El Niño é o aquecimento anormal das águas superficiais do Pacífico equatorial central e leste, que enfraquece os ventos alísios e desorganiza a circulação atmosférica, provocando secas, chuvas intensas e calor em diferentes partes do mundo, e em 2026 a NOAA prevê 81% de chance de ele atingir intensidade “muito forte” entre outubro e dezembro.

El Niño: o que é o fenômeno que aquece o Pacífico e muda o clima do planeta

TEMPERATURA DO OCEANO PACIFICO · METOS BRASIL

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Em 2026, o El Niño voltou a ocupar o noticiário e preocupa cientistas, agricultores e gestores públicos. Segundo a NOAA, agência climática dos Estados Unidos, as condições de El Niño foram declaradas em junho e há 81% de chance de o evento atingir a categoria "muito forte" entre outubro e dezembro, podendo se tornar o maior desde 1950, quando começaram as medições. Mas, afinal, o que é o El Niño e por que ele mexe tanto com o clima?

O que é o El Niño

O El Niño é o aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico equatorial, na porção central e leste da bacia. Embora aconteça no oceano, ele altera a circulação da atmosfera e, por isso, influencia chuvas, temperaturas e ventos em diversas partes do mundo, inclusive no Brasil.

O fenômeno faz parte de um ciclo maior chamado ENOS (El Niño-Oscilação Sul), que combina três fases: o El Niño (aquecimento), a La Niña (resfriamento) e a fase neutra. O El Niño costuma se repetir a cada 2 a 7 anos, em média, e cada episódio dura de 9 a 12 meses, podendo se estender mais.

Figura 1. Temperatura da água no pacifico equatorial

Contexto histórico: de onde vem o nome

O nome "El Niño" ("o menino", em espanhol) tem origem na costa do Peru e do Equador. Pescadores da região notavam que, por volta do Natal, as águas do mar ficavam mais quentes e a pesca diminuía. Associaram o fenômeno ao Menino Jesus, e o termo se popularizou.

Durante muito tempo, o evento foi visto apenas como uma curiosidade local. A compreensão de que ele estava ligado a mudanças atmosféricas em escala global veio ao longo do século XX, com os estudos sobre a chamada Oscilação Sul, a gangorra de pressão atmosférica entre o Pacífico leste e o Pacífico oeste. Hoje, a combinação oceano-atmosfera é monitorada por boias, satélites e modelos climáticos.

Como o fenômeno acontece

Em condições normais, os ventos alísios sopram de leste para oeste ao longo do Pacífico equatorial. Eles empurram a água quente superficial em direção à Indonésia e à Austrália. No lado oposto, junto à costa da América do Sul, águas profundas, frias e ricas em nutrientes sobem à superfície, processo chamado de ressurgência, que sustenta uma das pescas mais produtivas do planeta.

No El Niño, os alísios enfraquecem. A água quente que estava acumulada no Pacífico oeste se desloca para leste, e a ressurgência diminui na costa sul-americana. O resultado é um oceano mais quente no Pacífico central e leste, que passa a liberar mais calor e umidade para a atmosfera e desorganiza a circulação de ventos e as zonas de chuva.

Os cientistas identificam o evento pela anomalia da temperatura da superfície do mar. De forma geral, considera-se El Niño quando a região central do Pacífico fica pelo menos 0,5 °C acima da média por alguns meses consecutivos. Quanto maior a anomalia, mais forte é classificado o episódio.

Os impactos pelo mundo e no Brasil

É importante lembrar que um El Niño mais forte não significa, necessariamente, eventos extremos em todo lugar, mas aumenta a probabilidade de tempestades e calor intenso em várias regiões. Os efeitos variam bastante de acordo com a localização:

  • Pacífico oeste (Indonésia, Austrália): tendência de seca e maior risco de incêndios florestais.
  • Costa oeste da América do Sul (Peru, Equador): chuvas intensas, inundações e queda da pesca.
  • Sul do Brasil: chuvas acima da média, com risco de enchentes.
  • Norte e Nordeste do Brasil: tendência de redução das chuvas, com impacto sobre a Amazônia, a agricultura e o abastecimento de água, especialmente no semiárido.
  • Sudeste e Centro-Oeste: temperaturas mais elevadas, com ondas de calor mais frequentes.

Esses padrões são tendências, e não regras. Outros fatores, como a temperatura do Atlântico, também influenciam o clima brasileiro em cada ano.

O El Niño em 2026

O evento atual ganhou força a partir de junho de 2026, com aquecimento de mais de 1 °C acima da média em grande parte do Pacífico central e leste. Em algumas áreas, como a região conhecida como Niño 1+2, junto à costa sul-americana, a anomalia chegou a cerca de 2,7 °C. A NOAA também estima 97% de chance de o fenômeno persistir até o início de 2027.

Para o Brasil, isso acende o alerta para possíveis secas no Norte e no Nordeste, calor no Centro-Sul e chuvas intensas no Sul, o que exige planejamento de órgãos públicos, do setor agrícola e da população.

Curiosidades

  • O oposto do El Niño é a La Niña, que é o resfriamento anormal do Pacífico equatorial e também altera o clima global.
  • Eventos marcantes: os El Niños de 1982-83, 1997-98 e 2015-16 estão entre os mais fortes já registrados e deixaram impactos em diversos continentes.
  • Impacto econômico: o fenômeno afeta safras, geração de energia hidrelétrica, preços de alimentos e até a pesca da anchoveta, importante para a produção mundial de farinha de peixe.
  • Previsão possível: diferentemente de muitos fenômenos do tempo, o El Niño pode ser previsto com meses de antecedência, graças ao monitoramento contínuo dos oceanos.

O El Niño mostra como oceano e atmosfera funcionam como um sistema integrado: um aquecimento no meio do Pacífico pode repercutir em secas, enchentes e ondas de calor a milhares de quilômetros de distância. Entender o fenômeno é essencial para a geografia do clima e para a preparação da sociedade diante de seus efeitos. Acompanhar os boletins da NOAA, do INMET e de outras instituições é a melhor forma de se manter informado nos próximos meses.