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Dólar cai 0,49% e fecha próximo de R$ 5,05; Ibovespa também recua a seis dias do segundo turno

Mercado financeiro brasileiro registra cautela diante da disputa presidencial entre Lula e Flávio Bolsonaro. Queda das ações da Petrobras pressiona a Bolsa, enquanto moeda americana perde força no exterior.

Dólar cai 0,49% e fecha próximo de R$ 5,05; Ibovespa também recua a seis dias do segundo turno

(DIMAS ARDIAN/BLOOMBERG)

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O dólar encerrou o pregão desta segunda-feira (19) em queda de aproximadamente 0,49%, cotado perto de R$ 5,048, enquanto o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, também registrou desvalorização.

O movimento ocorre em meio à cautela dos investidores com a proximidade do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo, 25 de outubro de 2026.

A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) tem provocado oscilações nos ativos financeiros, especialmente diante das incertezas sobre a política econômica e fiscal que será adotada a partir de 2027.

Apesar da queda do dólar, a Bolsa brasileira terminou o dia no campo negativo, influenciada principalmente pela desvalorização das ações da Petrobras.

A moeda americana perdeu valor em relação ao real em um dia marcado pelo enfraquecimento do dólar diante de outras moedas de países emergentes.

O Ibovespa, por sua vez, enfrentou pressão das empresas ligadas ao setor de petróleo, embora ações de companhias de varejo e construção tenham apresentado valorização.

Eleições presidenciais aumentam cautela dos investidores

A proximidade do segundo turno é um dos principais fatores acompanhados pelo mercado financeiro brasileiro.

Pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos dias mostram uma disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, com diferenças pequenas nas intenções de voto.

Um levantamento AtlasIntel/Bloomberg divulgado nesta segunda-feira (19) apresentou Flávio Bolsonaro com 51,1% dos votos válidos e Lula com 48,9%.

A diferença entre os candidatos diminuiu em relação à pesquisa anterior, publicada em 9 de outubro.

Os números ampliam a atenção dos investidores às propostas econômicas dos candidatos, principalmente em relação ao controle de gastos públicos, à política tributária e à trajetória da dívida brasileira.

O comportamento do mercado, contudo, não depende exclusivamente das eleições. Fatores internacionais, taxas de juros e resultados empresariais também influenciam as negociações.

Petrobras pesa no desempenho do Ibovespa

Entre os principais destaques negativos do pregão estiveram as ações da Petrobras, que acompanharam o recuo dos preços internacionais do petróleo.

Os papéis ordinários PETR3 registraram queda de aproximadamente 2,68%, enquanto as ações preferenciais PETR4 recuaram cerca de 2,60%.

Como a companhia possui participação significativa na composição do Ibovespa, sua desvalorização contribuiu para pressionar o índice.

Por outro lado, empresas dos setores de varejo e construção civil apresentaram desempenho positivo.

Ações de companhias como Magazine Luiza, MRV e Azzas 2154 estiveram entre os destaques de valorização, demonstrando que o movimento negativo da Bolsa não atingiu todos os segmentos da mesma maneira.

Dólar também reage ao cenário internacional

A queda da moeda americana não foi influenciada apenas pelo ambiente político brasileiro.

Nos mercados internacionais, investidores acompanharam mudanças nas perspectivas de fornecimento de energia, especialmente após medidas dos Estados Unidos relacionadas às sanções econômicas contra a Rússia.

A expectativa de maior disponibilidade de combustíveis contribuiu para reduzir parte das preocupações com o setor energético.

Ao mesmo tempo, o mercado acompanha as próximas decisões do Federal Reserve (Fed), banco central dos Estados Unidos, responsável pela política monetária americana.

Mudanças nos juros americanos influenciam a circulação de capital internacional e podem afetar diretamente a cotação do dólar no Brasil.

Boletim Focus mantém atenção sobre inflação e crescimento

No cenário doméstico, os investidores também analisaram o Boletim Focus, relatório divulgado semanalmente pelo Banco Central com projeções de instituições financeiras.

O documento apresentou ajustes nas expectativas para o crescimento da economia brasileira e para a inflação dos próximos anos.

A taxa básica de juros, a Selic, permanece em 13,75% ao ano, nível que influencia o custo do crédito, as aplicações financeiras e a atividade econômica.

A combinação de juros elevados, incertezas fiscais e disputa eleitoral continua sendo acompanhada pelos participantes do mercado.

O que esperar do dólar e da Bolsa até a eleição?

A reta final da campanha presidencial poderá trazer novas oscilações ao mercado financeiro, especialmente após a divulgação de pesquisas eleitorais, debates e propostas econômicas dos candidatos.

Investidores também acompanharão os preços do petróleo, o desempenho das bolsas internacionais e as expectativas para os juros.

A queda do dólar nesta segunda-feira representa uma valorização diária do real, mas não garante a continuidade desse movimento nos próximos pregões.

Da mesma forma, a retração do Ibovespa não determina necessariamente uma tendência de queda prolongada.

Com o segundo turno marcado para 25 de outubro, o mercado seguirá atento à definição do cenário político e às perspectivas econômicas para 2027.