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Déficit externo do Brasil cai 42% em setembro, enquanto investimentos estrangeiros chegam a US$ 11,3 bilhões

Dados do Banco Central mostram melhora nas contas externas, impulsionada pelo crescimento das exportações. Apesar do resultado, reservas internacionais recuaram US$ 9,8 bilhões e encerraram setembro em US$ 362,8 bilhões

Déficit externo do Brasil cai 42% em setembro, enquanto investimentos estrangeiros chegam a US$ 11,3 bilhões

© RAFA NEDDERMEYER/AGÊNCIA BRASIL

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O Brasil registrou déficit de US$ 5,1 bilhões nas contas externas em setembro de 2026, uma redução de aproximadamente 42% em comparação com o resultado negativo de US$ 8,8 bilhões observado no mesmo mês do ano passado. Os números foram divulgados nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central do Brasil, no relatório mensal de Estatísticas do Setor Externo.

A melhora foi impulsionada principalmente pelo desempenho da balança comercial, que apresentou crescimento das exportações e redução das importações. O saldo positivo do comércio de mercadorias ajudou a compensar parte das despesas brasileiras com serviços, juros, lucros e dividendos enviados ao exterior.

Entre janeiro e setembro, o déficit acumulado chegou a US$ 49,3 bilhões. Nos últimos 12 meses, o saldo negativo atingiu US$ 60 bilhões, equivalente a 2,33% do Produto Interno Bruto (PIB), abaixo dos US$ 78,4 bilhões registrados nos 12 meses encerrados em setembro de 2025.

Os dados indicam uma redução da necessidade de financiamento externo da economia brasileira, embora o país ainda apresente despesas e pagamentos ao exterior superiores às receitas contabilizadas nas transações correntes.

Exportações crescem e balança comercial registra superávit de US$ 6,9 bilhões

O comércio internacional foi o principal responsável pela melhora das contas externas brasileiras em setembro.

Segundo o Banco Central, a balança comercial de bens apresentou superávit de US$ 6,9 bilhões, resultado consideravelmente superior aos US$ 2,5 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.

As exportações alcançaram US$ 34,6 bilhões, crescimento de 12,9% na comparação anual. Já as importações somaram US$ 27,7 bilhões, recuo de 1,7%.

A combinação desses movimentos elevou o saldo comercial em aproximadamente US$ 4,4 bilhões na comparação com setembro do ano passado.

Apesar da melhora no comércio de mercadorias, as contas de serviços e renda primária continuaram deficitárias, mostrando que parte significativa das receitas obtidas pelo país ainda é compensada por pagamentos internacionais.

Veja os principais números das contas externas

Investimentos estrangeiros aumentam e superam US$ 11 bilhões

O Brasil também registrou crescimento na entrada de investimentos estrangeiros destinados a atividades produtivas.

Os Investimentos Diretos no País (IDP) somaram US$ 11,3 bilhões em setembro, acima dos US$ 9,6 bilhões contabilizados no mesmo período de 2025.

O indicador considera recursos direcionados à participação no capital de empresas brasileiras, reinvestimento de lucros e determinadas operações financeiras entre empresas do mesmo grupo econômico.

Nos 12 meses encerrados em setembro, o investimento direto acumulou US$ 88,3 bilhões, equivalente a 3,43% do PIB.

Esse montante supera o déficit de US$ 60 bilhões registrado nas transações correntes no mesmo intervalo, indicando que os ingressos de investimento direto foram suficientes, em termos agregados, para cobrir a necessidade de financiamento externo do período.

O resultado é relevante porque os investimentos diretos costumam estar associados a compromissos econômicos de prazo mais longo, diferentemente dos fluxos financeiros de curto prazo, sujeitos a mudanças rápidas nas condições de mercado.

Reservas internacionais caem US$ 9,8 bilhões em setembro

Apesar da redução do déficit externo, o estoque de reservas internacionais diminuiu entre agosto e setembro.

Segundo o Banco Central, as reservas encerraram o mês em US$ 362,8 bilhões, contra US$ 372,6 bilhões registrados em agosto.

A redução foi de US$ 9,8 bilhões, equivalente a aproximadamente 2,6% do estoque anterior.

Entre os fatores que contribuíram para a queda estão a desvalorização de ativos mantidos nas reservas, alterações nas taxas de câmbio entre moedas estrangeiras e operações realizadas pela autoridade monetária no mercado.

O Banco Central informou que as variações de preços dos ativos reduziram o estoque em US$ 3,7 bilhões, enquanto mudanças nas paridades cambiais representaram impacto negativo de US$ 2,5 bilhões.

Também houve vendas líquidas de US$ 2 bilhões no mercado à vista e concessão líquida de linhas com recompra de mesmo valor. As receitas de juros contribuíram positivamente com aproximadamente US$ 900 milhões.

As reservas funcionam como um instrumento de proteção contra crises externas e situações de instabilidade financeira, embora sua utilização e valorização possam provocar variações mensais expressivas.

O que significa ter déficit nas contas externas?

O déficit em transações correntes ocorre quando as despesas de uma economia com o exterior superam suas receitas nas categorias acompanhadas pelo balanço de pagamentos.

O indicador reúne principalmente três componentes: comércio de bens, serviços e rendas.

A balança de bens considera exportações e importações. A conta de serviços inclui despesas e receitas com transportes, viagens internacionais e serviços empresariais, entre outros.

Já a conta de renda primária registra operações como pagamentos de juros, distribuição de lucros e dividendos entre residentes e não residentes.

Um déficit não significa necessariamente que a economia esteja em crise. Sua sustentabilidade depende de fatores como capacidade de financiamento, volume de investimentos estrangeiros, reservas internacionais e evolução das obrigações externas.

No caso brasileiro, a melhora observada em setembro ocorreu principalmente pelo crescimento do saldo comercial, mesmo com aumento dos déficits nas contas de serviços e renda primária.

Resultado indica melhora do setor externo brasileiro

Os números divulgados nesta segunda-feira mostram que a economia brasileira encerrou setembro com um desequilíbrio externo menor do que o registrado um ano antes.

A redução do déficit acumulado em 12 meses, de US$ 78,4 bilhões para US$ 60 bilhões, representa uma melhora de aproximadamente US$ 18,4 bilhões.

Ao mesmo tempo, o crescimento dos investimentos estrangeiros diretos reforçou a capacidade de financiamento das transações externas.

O recuo das reservas internacionais, entretanto, permanece como um indicador importante para acompanhamento nos próximos meses.

A evolução das contas externas dependerá do desempenho das exportações, da demanda por produtos importados, das condições financeiras internacionais e das movimentações de capital entre o Brasil e o restante do mundo.