Os Estados Unidos deixaram café e carne do Brasil fora da nova rodada de tarifas contra produtos brasileiros em uma decisão ligada ao impacto desses itens no custo de vida dos americanos. Embora o governo Donald Trump tenha ampliado a pressão comercial sobre o Brasil, produtos essenciais para supermercados, restaurantes e indústrias dos EUA foram preservados para evitar novos aumentos de preços.
Segundo especialistas, café e carne foram poupados por causa da crise no agro americano e da inflação. A medida mostra que, apesar do endurecimento tarifário, Washington evitou atingir produtos que poderiam pesar diretamente no bolso do consumidor dos Estados Unidos.
Inflação limitou alcance do tarifaço
Tarifas de importação costumam encarecer produtos estrangeiros no mercado local. Quando o item é essencial ou difícil de substituir, parte desse custo pode chegar ao consumidor final.
Esse risco é maior no caso de alimentos. Café e carne fazem parte da rotina de consumo dos americanos e abastecem cadeias amplas, como cafeterias, supermercados, restaurantes, redes de fast-food e indústrias de alimentos.
Por isso, a Casa Branca poupou itens que poderiam gerar aumento rápido de preços. A decisão reduz o risco de que o tarifaço contra o Brasil se transforme em nova pressão sobre a inflação de alimentos nos Estados Unidos.
Crise no agro americano pesou na decisão
A carne brasileira foi poupada em um momento delicado para a pecuária dos Estados Unidos. O Departamento de Agricultura dos EUA, o USDA, informou que o rebanho bovino americano caiu ao menor nível em 75 anos, enquanto os preços no atacado da carne seguem em patamares historicamente altos para esta época do ano.
Com menos gado disponível, a oferta doméstica fica mais apertada. Nesse ambiente, dificultar a entrada de carne importada poderia aumentar ainda mais os preços para consumidores americanos.
A Associated Press informou que o preço da libra da carne moída chegou a US$ 6,82 em junho, alta de 79% em relação ao início de 2019, segundo dados do Bureau of Labor Statistics. A agência citou fatores como redução do rebanho, seca no Oeste dos Estados Unidos e custos de ração e combustível.
Esse cenário ajuda a explicar por que a carne brasileira ficou fora da nova cobrança. O produto ajuda a complementar a oferta nos Estados Unidos, especialmente em cadeias de processamento.
Café brasileiro é difícil de substituir
O café também foi preservado porque os Estados Unidos dependem fortemente de importações. O país consome café em grande escala, mas não tem produção doméstica suficiente para atender a própria demanda.
A National Coffee Association, entidade que representa o setor cafeeiro americano, defendeu que o café brasileiro ficasse fora das novas tarifas. A organização afirmou que o produto não está disponível em escala suficiente dentro dos Estados Unidos e que uma taxação poderia elevar custos para toda a cadeia.
A entidade também informou que o setor do café movimenta mais de US$ 343 bilhões na economia americana, apoia 2,2 milhões de empregos e representa 8% do valor do setor de serviços de alimentação do país.
Se o café brasileiro fosse taxado, torrefadoras, cafeterias, supermercados e consumidores poderiam enfrentar custos maiores. Como o Brasil é um fornecedor relevante, substituir esse volume no curto prazo seria difícil.

