A Coreia do Norte anunciou nesta quinta-feira (4) a inauguração de uma nova instalação destinada à produção de combustível para armas nucleares. A informação foi divulgada pela agência estatal KCNA (Korean Central News Agency), que afirmou que a unidade utiliza tecnologias mais avançadas para aumentar a capacidade de produção de materiais nucleares.
O anúncio foi acompanhado por declarações do líder norte-coreano Kim Jong Un, que prometeu fortalecer as forças nucleares do país em um ritmo que classificou como “exponencial”.
As autoridades norte-coreanas não divulgaram a localização da instalação nem informaram quando ela entrou em operação. Imagens publicadas pela mídia estatal, no entanto, mostram o que especialistas identificam como um amplo complexo de centrífugas utilizado para enriquecimento de urânio.
A divulgação reforça a estratégia do regime de ampliar seu programa nuclear em meio às crescentes tensões com os Estados Unidos e seus aliados na região.
Kim Jong Un visitou a instalação
Segundo a KCNA, Kim Jong Un realizou uma visita à nova unidade na quarta-feira para acompanhar o funcionamento das operações e discutir planos de expansão para os próximos anos.
Durante a inspeção, o líder norte-coreano afirmou que a necessidade de fortalecer a capacidade nuclear do país aumentou diante das ameaças representadas por “inimigos ferozes”, em uma referência indireta aos Estados Unidos e à Coreia do Sul.
A agência estatal também informou que Kim recebeu relatórios sobre os índices de produção da instalação e participou de reuniões com autoridades responsáveis pelo programa nuclear.
De acordo com o governo norte-coreano, a produção de materiais destinados a armas nucleares mais que dobrou nos últimos cinco anos.
A afirmação, porém, não pode ser verificada de forma independente por observadores internacionais.
Imagens sugerem expansão do enriquecimento de urânio
As fotografias divulgadas pela imprensa estatal mostram Kim caminhando por corredores cercados por longas fileiras de equipamentos metálicos, tubos e sistemas industriais.
Especialistas consultados por veículos internacionais afirmam que as imagens são compatíveis com instalações utilizadas para enriquecimento de urânio.
O urânio altamente enriquecido é um dos principais componentes empregados na fabricação de armas nucleares.
Outra fotografia mostra o líder norte-coreano reunido com assessores diante de diagramas técnicos. Um dos desenhos aparenta representar uma estrutura em formato de cone, o que levou analistas a especularem sobre a possibilidade de se tratar de um projeto relacionado a ogivas nucleares.
As autoridades norte-coreanas não comentaram o conteúdo dos documentos exibidos.
Programa nuclear continua avançando
O anúncio da nova instalação ocorre menos de dois anos após a Coreia do Norte revelar outra unidade secreta de enriquecimento de urânio.
Em setembro de 2024, o regime apresentou publicamente uma instalação semelhante pela primeira vez desde que permitiu a visita de especialistas americanos ao complexo nuclear de Yongbyon em 2010.
Na ocasião, Kim também havia defendido a ampliação da capacidade nuclear do país e solicitado o aumento do número de centrífugas utilizadas para enriquecimento de urânio.
Segundo autoridades sul-coreanas, a Coreia do Norte opera atualmente múltiplas instalações desse tipo.
Em declarações feitas no ano passado, o então ministro da Unificação da Coreia do Sul, Chung Dong-young, afirmou que Pyongyang mantinha pelo menos quatro centros de enriquecimento de urânio em funcionamento.
Armas nucleares seguem prioridade do regime

Desde o fracasso das negociações diplomáticas entre Kim Jong Un e o então presidente americano Donald Trump em 2019, a Coreia do Norte passou a concentrar esforços na ampliação de seu arsenal nuclear.
As conversas entre Washington e Pyongyang buscavam um acordo para limitar o programa nuclear norte-coreano em troca do alívio de sanções econômicas.
As negociações, no entanto, terminaram sem consenso.
Desde então, Kim rejeitou diversas propostas de retomada do diálogo apresentadas pelos Estados Unidos e pela Coreia do Sul.
Em vez disso, o regime acelerou o desenvolvimento de mísseis balísticos, submarinos militares, sistemas de lançamento e instalações nucleares.
Agência Internacional alerta para aumento das atividades
Nos últimos meses, organismos internacionais têm observado uma intensificação das atividades nucleares norte-coreanas.
Em abril, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, afirmou que a entidade identificou um aumento acelerado das operações em instalações nucleares do país.
A AIEA não possui inspetores permanentes na Coreia do Norte desde a expulsão de seus representantes pelo regime em 2009.
Por isso, grande parte do monitoramento é realizada por meio de imagens de satélite e outras formas de observação remota.
Mesmo sem acesso direto aos complexos nucleares, especialistas da agência têm relatado sinais consistentes de expansão das atividades relacionadas ao programa atômico norte-coreano.
Sanções internacionais continuam
Além do avanço nuclear, a Coreia do Norte continua enfrentando sanções impostas por diversos países.
Em março deste ano, o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou novas punições contra indivíduos e empresas acusados de auxiliar financeiramente os programas militares do regime.
Segundo autoridades americanas, trabalhadores de tecnologia ligados à Coreia do Norte teriam sido utilizados em operações para arrecadar recursos destinados ao desenvolvimento de armas nucleares.
As estimativas apontam que o esquema teria gerado cerca de US$ 800 milhões apenas em 2024.
Expansão militar preocupa comunidade internacional
O anúncio da nova instalação nuclear reforça as preocupações de governos e organismos internacionais sobre o avanço do programa militar norte-coreano.
Especialistas avaliam que a ampliação da capacidade de enriquecimento de urânio poderá aumentar significativamente o número de armas nucleares disponíveis para o regime nos próximos anos.
Ao mesmo tempo, a ausência de negociações diplomáticas efetivas e a continuidade dos testes militares elevam as incertezas sobre a segurança na Península Coreana.
Com a inauguração da nova unidade e as declarações de Kim Jong Un sobre a expansão “exponencial” das forças nucleares, a Coreia do Norte sinaliza que pretende manter o programa atômico como um dos pilares centrais de sua estratégia de defesa e projeção de poder internacional.

