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Cláudio Castro desiste de candidatura ao Senado após investigações da PF

Ex-governador do Rio de Janeiro afirmou que decisão foi a “mais difícil” da vida e disse que irá focar na própria defesa.

Cláudio Castro desiste de candidatura ao Senado após investigações da PF
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O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, confirmou nesta quinta-feira (28) que desistiu oficialmente de disputar uma vaga no Senado Federal nas eleições deste ano. O anúncio foi feito por meio de um vídeo publicado nas redes sociais, no qual Castro afirmou que tomou a “decisão mais difícil” de sua vida política.

A pré-candidatura havia sido lançada em fevereiro e fazia parte da estratégia eleitoral do PL no estado do Rio de Janeiro. No entanto, o cenário político do ex-governador se deteriorou rapidamente nos últimos meses após decisões judiciais e operações da Polícia Federal envolvendo seu nome.

Ao anunciar a desistência, Castro afirmou que pretende dedicar os próximos meses exclusivamente à própria defesa nos processos em que é investigado. Sem entrar em detalhes sobre os casos, ele declarou confiar que conseguirá comprovar sua inocência.

“Resolvi retirar minha candidatura ao Senado Federal para que eu possa focar completamente na minha defesa”, afirmou o ex-governador no vídeo divulgado nas redes sociais.

Investigações aceleraram desgaste político

A saída de Cláudio Castro da corrida eleitoral ocorre após uma sequência de investigações que aumentaram a pressão política sobre o ex-governador.

Na terça-feira (26), Castro foi alvo de uma operação da Polícia Federal autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura supostas irregularidades envolvendo investimentos do Rioprevidência no Banco Master.

Segundo a PF, a relação entre Cláudio Castro e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, teria facilitado um aporte bilionário realizado pelo fundo previdenciário estadual na instituição financeira.

Na decisão que autorizou a operação, André Mendonça afirmou que os investimentos analisados seriam “temerários e desprovidos de justificativa técnica”. Durante a ação, Castro foi alvo de mandados de busca e apreensão.

Poucos dias antes, outra operação da Polícia Federal já havia atingido o núcleo político do ex-governador. A ação, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, investiga um suposto esquema de fraudes fiscais relacionado à Refit, antiga Refinaria de Manguinhos.

As duas operações aumentaram a pressão interna dentro do PL e ampliaram o desgaste da imagem política de Castro em meio ao período pré-eleitoral.

Inelegibilidade já preocupava aliados

Mesmo antes das operações da PF, a situação jurídica de Cláudio Castro já preocupava integrantes do partido. Em março deste ano, ele renunciou ao cargo de governador na véspera da conclusão de um julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o tornou inelegível por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.

A estratégia da renúncia buscava evitar uma possível cassação e abrir espaço para uma eleição indireta no estado. Ainda assim, aliados próximos já avaliavam como muito difícil uma reversão da inelegibilidade na Justiça Eleitoral.

Nos bastidores, dirigentes do PL afirmavam que a manutenção da candidatura poderia trazer prejuízos para outros nomes do partido no Rio de Janeiro, principalmente para o senador Flávio Bolsonaro e para o deputado Douglas Ruas, que disputa o governo estadual.

Integrantes da legenda também avaliavam que novas fases das investigações poderiam surgir nos próximos meses, tornando ainda mais delicada a permanência de Castro na chapa.

Defesa e discurso nas redes sociais

No vídeo divulgado nas redes sociais, Cláudio Castro afirmou que sua família atravessa um dos momentos mais difíceis desde o início de sua trajetória política.

Segundo ele, os últimos dias foram marcados por “dor, exposição, mentiras e narrativas”. O ex-governador também declarou que pretende apresentar uma defesa técnica robusta nos processos conduzidos pela Polícia Federal e pelo STF.

Castro afirmou ainda que seus advogados já protocolaram manifestações relacionadas ao primeiro caso e trabalham em uma nova petição sobre a segunda investigação.

Apesar da desistência da candidatura ao Senado, ele afirmou que não pretende abandonar a política de forma definitiva.

“Somente dou um passo necessário com a certeza de estar fazendo o correto nesse momento tão difícil”, declarou.

PL busca novo nome para disputa

Com a saída de Cláudio Castro da corrida eleitoral, o PL iniciou discussões internas para definir um novo nome ao Senado no Rio de Janeiro.

Entre os cotados estão os deputados federais Carlos Jordy e Sóstenes Cavalcante, além do ex-secretário de Polícia Civil Felipe Curi.

A mãe de Flávio Bolsonaro, Rogéria Bolsonaro, também aparece entre os nomes mencionados nos bastidores do partido, embora lideranças indiquem que a disputa interna hoje esteja mais concentrada entre Jordy e Sóstenes.

Dirigentes do PL afirmam que o senador Flávio Bolsonaro deverá ter influência direta na definição do substituto que representará o partido na disputa pelo Senado no estado.

Enquanto isso, Cláudio Castro passa a concentrar seus esforços no campo jurídico, em meio ao avanço das investigações e ao cenário político cada vez mais delicado para o ex-governador fluminense.