A nova rodada de tarifas dos Estados Unidos contra produtos brasileiros aumentou a pressão sobre a relação comercial entre os dois países e acendeu um alerta entre setores da economia. A medida, confirmada pelo governo Donald Trump, prevê uma sobretaxa de 12,5% sobre parte das exportações do Brasil e reacendeu o debate sobre a resposta que o governo brasileiro deve adotar.
A cobrança entrou no radar de empresas e entidades empresariais porque pode se somar à tarifa de 25% anunciada anteriormente pelos Estados Unidos. Segundo a Amcham Brasil, parte relevante dos produtos afetados poderá enfrentar uma carga total de 37,5% ao entrar no mercado norte-americano.
Nova tarifa aumenta pressão sobre o Brasil
A nova tarifa foi anunciada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos, conhecido pela sigla USTR. O órgão afirmou que a decisão faz parte de uma investigação baseada na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, instrumento usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.
No caso atual, Washington alegou falhas de diferentes economias no combate à entrada de produtos produzidos com trabalho forçado. A medida alcança 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos. Para o Brasil, a alíquota definida foi de 12,5%.
O governo brasileiro rejeitou a justificativa apresentada pelos Estados Unidos e passou a avaliar instrumentos de reação. Entre eles está a Lei de Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil adotar contramedidas quando outro país impõe barreiras comerciais consideradas injustificadas.
Apesar da reação do governo, entidades empresariais têm pedido cautela. A avaliação desses setores é que uma resposta baseada em reciprocidade pode ampliar a tensão política e comercial entre Brasil e Estados Unidos, com risco de piorar o ambiente para empresas, trabalhadores e consumidores.
Café fica fora da nova cobrança
Ao mesmo tempo, nem todos os produtos brasileiros foram incluídos na nova rodada. O setor de café ficou fora da cobrança adicional, o que foi recebido como alívio pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, o Cecafé.
Segundo o diretor-geral da entidade, Marcos Matos, a exclusão preserva um mercado de aproximadamente US$ 2,5 bilhões por ano para a cafeicultura brasileira. A lista de exceção inclui café verde, torrado e moído, além do café solúvel exportado aos Estados Unidos.
Para o Cecafé, a decisão impede que o setor seja atingido pela nova sobretaxa e mantém livre de cobrança adicional um dos principais fluxos de exportação do Brasil para o mercado norte-americano. O setor avaliou a exclusão como uma vitória para a cafeicultura brasileira.
Mesmo com exceções, a nova tarifa aprofunda a incerteza para exportadores. Empresas que vendem aos Estados Unidos passam a lidar com custos maiores, dúvidas sobre contratos e risco de perda de espaço para concorrentes de outros países.
Governo avalia resposta
O governo brasileiro tenta equilibrar duas frentes. De um lado, precisa responder à pressão política por uma reação firme às tarifas. De outro, enfrenta pedidos do setor privado para evitar uma escalada que possa comprometer ainda mais o comércio bilateral.
A disputa ocorre em uma relação econômica relevante para os dois países. Os Estados Unidos estão entre os principais destinos das exportações brasileiras, enquanto empresas dos dois lados mantêm cadeias de fornecimento integradas em áreas industriais, agrícolas e de serviços.
A aplicação da Lei de Reciprocidade ainda depende de decisão do governo brasileiro. Até agora, setores empresariais defendem que o instrumento seja tratado com cautela e que a negociação diplomática continue sendo a prioridade.
A nova tarifa de 12,5% reforça o impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos. Para exportadores, o principal desafio imediato é preservar acesso ao mercado norte-americano. Para o governo, a tarefa é reagir sem ampliar os prejuízos para a economia brasileira.

