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Ataques sauditas deixam 11 mortos no Iêmen, incluindo mulheres e criança, segundo Houthis

Bombardeios atingiram residências e instalações ligadas a uma fábrica de cimento na região de Sanaa. Arábia Saudita afirma ter interceptado dois mísseis balísticos lançados pelos rebeldes, em meio à intensificação da guerra no país.

Ataques sauditas deixam 11 mortos no Iêmen, incluindo mulheres e criança, segundo Houthis

YEMEN PRESS AGENCY

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A escalada militar entre a Arábia Saudita e o movimento Houthi deixou pelo menos 11 mortos neste sábado (24), após bombardeios atribuídos às forças sauditas atingirem a capital do Iêmen, Sanaa, e áreas próximas.

De acordo com informações divulgadas pelo canal Al-Masirah, ligado aos Houthis, uma das ofensivas atingiu um prédio residencial utilizado por trabalhadores de uma fábrica de cimento na província de Sanaa. O ataque teria provocado a morte de seis mulheres e uma criança, além de deixar três pessoas feridas.

Outra residência na capital também foi atingida, provocando pelo menos quatro mortes, segundo o grupo.

Os números foram divulgados pela imprensa controlada pelos Houthis e ainda não haviam sido confirmados de maneira independente.

Bombardeios atingem residências e fábrica de cimento

A ofensiva saudita foi registrada em diferentes pontos de Sanaa, cidade controlada pelos Houthis desde 2014.

Segundo o Al-Masirah, ataques aéreos atingiram áreas residenciais e estruturas próximas a uma fábrica de cimento localizada no distrito de Hamdan, na província de Sanaa.

Relatos preliminares apontam que parte das vítimas estava em alojamentos utilizados por funcionários da unidade industrial.

O balanço divulgado pelo grupo pode sofrer alterações, uma vez que diferentes fontes locais apresentaram números distintos de mortos e feridos ao longo do sábado.

A agência de notícias AFP informou que os bombardeios ocorreram depois de uma série de ataques com mísseis atribuídos aos Houthis contra alvos sauditas.

A autoria, as circunstâncias e os alvos específicos das operações ainda dependem de esclarecimentos adicionais.

Arábia Saudita intercepta dois mísseis balísticos

Horas antes dos bombardeios no Iêmen, a coalizão militar liderada pela Arábia Saudita anunciou a interceptação de dois mísseis balísticos lançados pelos Houthis.

Segundo as autoridades sauditas, os projéteis tinham como destino as cidades de Taif e Yanbu, no oeste do país.

A Defesa Civil emitiu alertas emergenciais para diferentes regiões do território saudita, incluindo áreas próximas a Meca, um dos principais centros religiosos do islamismo.

Moradores foram orientados a procurar locais seguros até que o risco fosse considerado encerrado.

As autoridades também relataram a queda de destroços de mísseis interceptados em localidades do oeste saudita.

Os Houthis negaram ter direcionado seus ataques às cidades sagradas de Meca e Medina, afirmando que suas operações tinham como alvo instalações militares e energéticas.

Ataque a aeroporto saudita deixou dois mortos nesta semana

A intensificação dos confrontos acontece poucos dias depois de uma ofensiva contra o Aeroporto Internacional Rei Fahd, localizado em Dammam, no leste da Arábia Saudita.

O ataque, ocorrido na quarta-feira (21), deixou duas pessoas mortas e outras oito feridas, segundo informações divulgadas pelas autoridades.

O episódio faz parte de uma sequência de ofensivas contra aeroportos e instalações estratégicas sauditas.

Os Houthis também reivindicaram ataques contra estruturas petrolíferas, oleodutos e posições militares do reino.

Entre os principais alvos mencionados pelo grupo está a infraestrutura energética saudita, considerada estratégica para o abastecimento internacional de petróleo.

Entenda por que a Arábia Saudita combate os Houthis

O Iêmen enfrenta uma prolongada guerra civil entre diferentes forças políticas e militares.

Os Houthis, também conhecidos como Ansar Allah, controlam Sanaa e extensas áreas do território iemenita.

O movimento recebe apoio do Irã, enquanto a Arábia Saudita apoia o governo iemenita reconhecido internacionalmente.

Em 2015, Riade passou a liderar uma coalizão militar que interveio no conflito para apoiar as autoridades governamentais contra os rebeldes.

Desde então, a guerra provocou graves consequências humanitárias, incluindo deslocamentos populacionais, insegurança alimentar e dificuldades de acesso a serviços essenciais.

Uma trégua negociada em 2022 reduziu significativamente a intensidade dos confrontos, mas não resultou em um acordo definitivo de paz.

Os combates voltaram a se intensificar em julho de 2026, em meio ao agravamento das tensões regionais.

Conflito ameaça rotas comerciais e mercado de petróleo

A retomada das hostilidades também preocupa o comércio internacional.

O Iêmen possui uma localização estratégica próxima ao Estreito de Bab el-Mandeb, passagem marítima que conecta o mar Vermelho ao golfo de Áden e ao oceano Índico.

A região integra uma importante rota de transporte de mercadorias e petróleo entre a Ásia, a Europa e o Oriente Médio.

Ataques contra instalações energéticas e portos sauditas podem comprometer operações logísticas e elevar os riscos para empresas de transporte e navegação.

A cidade saudita de Yanbu, por exemplo, abriga infraestrutura de exportação de petróleo no mar Vermelho e ganhou importância diante das interrupções no tráfego pelo Estreito de Ormuz.

Com a ampliação dos confrontos, cresce a preocupação com eventuais impactos sobre os preços internacionais da energia.

Escalada militar amplia crise humanitária no Iêmen

O novo episódio de violência ocorre em um país que já enfrenta mais de uma década de conflito armado.

A população civil permanece vulnerável aos bombardeios, à destruição de infraestrutura e às dificuldades econômicas provocadas pela guerra.

Organizações internacionais, incluindo a Organização das Nações Unidas (ONU), atuam no acompanhamento da crise humanitária iemenita e na busca por soluções diplomáticas.

Os ataques deste sábado demonstram a fragilidade da trégua que havia reduzido os combates nos últimos anos.

Até o momento, não há indicação de um novo acordo de cessar-fogo capaz de interromper a escalada entre as forças sauditas e os Houthis.

O balanço definitivo de vítimas ainda poderá ser atualizado conforme novas informações sejam divulgadas pelas autoridades locais e por organizações independentes.