LIVE
Carregando…
Voltar ao portal

Alckmin diz que governo vai atuar para evitar nova tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros

Vice-presidente classificou proposta do governo americano como “descabida” e afirmou que Brasil buscará solução por meio do diálogo diplomático.

Alckmin diz que governo vai atuar para evitar nova tarifa dos EUA sobre produtos brasileiros
Compartilhar

O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta terça-feira (2) que o governo federal trabalhará para impedir a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A declaração ocorreu após uma reunião em Brasília que reuniu ministros e integrantes da equipe econômica para analisar o relatório divulgado pelo governo americano.

O documento foi elaborado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), órgão responsável por conduzir investigações comerciais e formular recomendações ao governo americano. Segundo o relatório, determinadas políticas brasileiras poderiam justificar a adoção de medidas tarifárias adicionais sobre produtos exportados pelo Brasil.

Para Alckmin, a recomendação não encontra justificativa adequada e ainda passará por etapas administrativas antes de qualquer decisão definitiva. O vice-presidente afirmou que o governo brasileiro utilizará canais diplomáticos e comerciais para tentar evitar a implementação da medida.

“O caminho é o caminho do diálogo”, declarou.

Reunião reuniu ministros de áreas estratégicas

O encontro realizado no Palácio do Planalto contou com a participação de representantes de diferentes áreas do governo envolvidas nas relações econômicas e diplomáticas com os Estados Unidos.

Estiveram presentes integrantes dos ministérios do Desenvolvimento, Fazenda, Planejamento, Relações Institucionais e Comunicação Social, além de representantes do Ministério das Relações Exteriores.

O objetivo foi avaliar os possíveis impactos econômicos da proposta americana e definir uma estratégia conjunta para a defesa dos interesses brasileiros.

A preocupação do governo se deve ao peso dos Estados Unidos na balança comercial brasileira. O país é um dos principais destinos das exportações nacionais e mantém relações comerciais relevantes com setores como indústria, agronegócio, mineração e tecnologia.

Relatório é resultado de investigação iniciada em 2025

A recomendação apresentada pelo USTR é resultado de uma investigação aberta em julho de 2025 por determinação do presidente dos Estados Unidos.

O processo utiliza a chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento legal que permite ao governo americano investigar e aplicar medidas contra países considerados responsáveis por práticas que prejudiquem interesses comerciais dos Estados Unidos.

Após meses de análise, o órgão concluiu que algumas políticas adotadas pelo Brasil poderiam ser consideradas restritivas ou desfavoráveis a empresas americanas.

Com base nessa interpretação, foi sugerida a criação de uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros.

Apesar da recomendação, a medida ainda não foi aprovada e seguirá para uma fase de consultas públicas antes da decisão final da Casa Branca.

Mais informações sobre o órgão responsável pela investigação podem ser consultadas no portal oficial do U.S. Trade Representative (USTR).

Pix aparece entre os principais pontos de divergência

Um dos aspectos que mais chamaram atenção no relatório foi a inclusão do Pix entre os temas analisados pelas autoridades americanas.

Segundo o documento, o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos teria criado vantagens competitivas para operadores nacionais em relação a empresas estrangeiras que oferecem serviços semelhantes.

O governo americano argumenta que determinadas características regulatórias favorecem o sistema desenvolvido pelo Banco Central.

Por outro lado, o relatório também reconhece que o Pix se tornou um dos sistemas de pagamento mais eficientes do mundo, ampliando a inclusão financeira e reduzindo custos para consumidores e empresas.

Criado em 2020 pelo Banco Central do Brasil, o sistema já movimenta bilhões de transações mensalmente e se tornou uma das principais ferramentas financeiras utilizadas pela população brasileira.

Outras críticas feitas pelos Estados Unidos

Além do Pix, o relatório aborda diferentes áreas da política econômica e regulatória brasileira.

Entre os temas mencionados estão comércio digital, propriedade intelectual, acordos tarifários firmados com outros países, acesso ao mercado de etanol e medidas relacionadas ao combate ao desmatamento ilegal.

O documento também faz referências a decisões judiciais envolvendo plataformas digitais americanas e a multas aplicadas por autoridades brasileiras contra empresas de tecnologia.

Segundo o governo americano, essas questões poderiam criar barreiras ao ambiente de negócios para companhias dos Estados Unidos.

O governo brasileiro, porém, discorda dessa interpretação e sustenta que suas políticas seguem padrões adotados por diversas economias relevantes ao redor do mundo.

Alckmin chama recomendação de “descabida”

Ao comentar o relatório, Alckmin classificou as conclusões apresentadas pelo órgão americano como inadequadas.

Segundo o vice-presidente, o Brasil possui uma relação comercial histórica com os Estados Unidos baseada na cooperação econômica e no diálogo institucional.

Ele também afirmou que a proposta não reflete a realidade das relações comerciais entre os dois países e ressaltou que o governo continuará defendendo os interesses nacionais durante as negociações.

As declarações seguem a mesma linha adotada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas últimas horas.

Lula também reagiu ao relatórioLula está bem e permanece em repouso no Alvorada | Agência Brasil

Horas antes da fala de Alckmin, Lula criticou duramente a proposta americana durante um evento realizado em Goiás.

O presidente associou a iniciativa a encontros recentes entre integrantes da família Bolsonaro e autoridades ligadas ao governo dos Estados Unidos.

Segundo Lula, adversários políticos estariam incentivando interferências externas em assuntos brasileiros. As declarações ampliaram a repercussão política do tema e aumentaram a polarização em torno da investigação comercial conduzida pelos americanos.

Nos últimos dias, integrantes do governo passaram a reforçar a defesa do Pix e das políticas econômicas questionadas no relatório.

Alguns produtos ficarão fora da tarifa

Apesar da proposta de sobretaxação, diversos produtos estratégicos foram excluídos da recomendação apresentada pelo USTR.

Entre eles estão café, frutas, determinadas carnes, fertilizantes, minerais, produtos farmacêuticos, aeronaves fabricadas no Brasil e componentes do setor aeronáutico.

A exclusão busca preservar cadeias produtivas importantes para a própria economia americana e reduzir impactos sobre setores considerados estratégicos.

Mesmo assim, empresários brasileiros acompanham o caso com atenção, já que a aplicação das tarifas poderá afetar exportações de diversos segmentos industriais.

Próximas semanas serão decisivas

A proposta agora seguirá para consulta pública nos Estados Unidos. Empresas, entidades representativas e especialistas poderão apresentar manifestações antes da decisão final do governo americano.

O cronograma prevê audiências nas próximas semanas e a conclusão do processo até meados de julho.

Até lá, o governo brasileiro pretende intensificar o diálogo com autoridades americanas e buscar alternativas para evitar a aplicação das novas tarifas.

O resultado das negociações poderá influenciar diretamente uma das relações comerciais mais importantes do Brasil e definir os próximos capítulos de uma disputa que mistura comércio, tecnologia, diplomacia e política internacional.