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Abstenção nas eleições de 2026 é a maior desde 1998 e ultrapassa 33 milhões de brasileiros

Desilusão com a política, dificuldades de acesso aos locais de votação e viagens estão entre os motivos apontados por eleitores. Ausência de 21,08% no primeiro turno preocupa diante da disputa presidencial de 25 de outubro.

Abstenção nas eleições de 2026 é a maior desde 1998 e ultrapassa 33 milhões de brasileiros

Fonte da imagem: TRE-GO

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O primeiro turno das eleições de 2026, realizado no último domingo (4), registrou um índice preocupante de abstenção eleitoral no Brasil. Mais de 33 milhões de brasileiros deixaram de comparecer às urnas, representando 21,08% do eleitorado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O percentual é o maior registrado em um primeiro turno presidencial desde 1998, quando 21,49% dos eleitores não participaram da votação que reelegeu o então presidente Fernando Henrique Cardoso.

A ausência expressiva chama a atenção especialmente porque o país enfrenta uma disputa presidencial acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

Levantamento publicado pelo g1 aponta que o afastamento dos eleitores está relacionado a diferentes fatores, incluindo descrença nas instituições políticas, dificuldades de mobilidade, problemas de acessibilidade e compromissos pessoais.

Mais de 33 milhões de brasileiros ficaram fora da votação

Dados do primeiro turno presidencial de 2026, conforme levantamento divulgado pelo g1 e números da Justiça Eleitoral.

O crescimento da abstenção vem sendo observado nos últimos ciclos eleitorais. Em 2018, o percentual de eleitores ausentes superou novamente a marca de 20%, evidenciando uma tendência de menor comparecimento.

Para o cientista político Murilo Medeiros, da Universidade de Brasília (UnB), um dos fatores que contribuem para o cenário atual é a intensa polarização política.

Na avaliação do especialista, a rejeição aos principais candidatos e a percepção de que a participação eleitoral não produz mudanças concretas podem ampliar o distanciamento da população em relação à política.

Sudeste e Centro-Oeste lideram índices de abstenção

Os dados regionais mostram diferenças importantes no comportamento do eleitorado brasileiro.


O Sudeste apresentou a maior proporção de ausentes entre as regiões destacadas, com 22,7%, equivalente a aproximadamente 15 milhões de eleitores.

No Centro-Oeste, cerca de 2,6 milhões de pessoas não votaram, correspondendo a 21,7% do eleitorado.

Já no Nordeste, a abstenção ficou em 18,4%, com aproximadamente 8 milhões de eleitores ausentes.

O Ceará registrou a menor taxa estadual do país, com 15,5%, segundo os números divulgados.

Desilusão com a política afasta parte do eleitorado

Entre as razões para o não comparecimento estão a insatisfação com os candidatos e a perda de confiança na capacidade da política de transformar a realidade.

A reportagem do g1 ouviu eleitores que afirmaram não encontrar motivos para participar da votação. Alguns disseram que a rejeição aos candidatos pesou na decisão de não comparecer às urnas.

Outros, porém, relataram dificuldades práticas, demonstrando que a abstenção não pode ser atribuída exclusivamente ao desinteresse político.

Problemas de acessibilidade também impediram eleitores de votar

A falta de acessibilidade nos locais de votação é outro problema relatado.

Uma eleitora que havia passado por cirurgia no joelho afirmou que não conseguiu chegar à seção eleitoral devido à existência de escadas.

Também foram registrados relatos de dificuldades relacionadas à transferência do título eleitoral, deslocamentos entre cidades e condições de saúde.

Esses casos evidenciam que parte das ausências está relacionada a obstáculos logísticos e estruturais, e não necessariamente à rejeição ao processo democrático.

Quem não votou no primeiro turno pode votar no segundo?

Sim. O Tribunal Superior Eleitoral esclarece que os dois turnos são considerados eleições independentes.

Portanto, quem faltou no dia 4 de outubro poderá votar normalmente em 25 de outubro de 2026, desde que esteja com o título eleitoral regular.

No Brasil, o voto é obrigatório para pessoas alfabetizadas entre 18 e 70 anos, sendo facultativo para jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e pessoas não alfabetizadas.

Prazo para justificar ausência termina em dezembro

Eleitores que não compareceram ao primeiro turno e não justificaram a ausência no dia da eleição terão até 3 de dezembro de 2026 para apresentar a justificativa.

O procedimento poderá ser realizado pelo aplicativo e-Título, pelo Autoatendimento Eleitoral ou presencialmente nos cartórios eleitorais.

Para eventuais ausências no segundo turno, o prazo será 8 de janeiro de 2027.

Abstenção será um dos desafios do segundo turno

Com mais de 33 milhões de eleitores ausentes no primeiro turno, o comparecimento em 25 de outubro poderá influenciar significativamente o resultado da disputa presidencial.

No entanto, a mobilização de eleitores que não votaram anteriormente não beneficia automaticamente um candidato específico. O impacto depende das preferências políticas de quem decidir comparecer.

A elevada abstenção também coloca em discussão a necessidade de ampliar a acessibilidade, facilitar o exercício do voto e fortalecer a participação democrática.